martes, 5 de noviembre de 2024

Como manter ciência, consciência e coragem na prática clínica ao longo da vida (e não perecer no esforço) - canto à maravilha que é a nossa profissão

Juan Gérvas, Médico generalista rural aposentado, ex-professor de Saúde Pública, Equipo CESCA, Madrid, Espanha

Resumo

No trabalho médico, todos os dias se pode fazer um bem imenso, nesses encontros com quem sofre, mesmo nas condições infernais desta Medicina que muitas vezes é ensinada e praticada a partir de torres de arrogância com fundações na ignorância, com esse autoritarismo médico que chega a ser Síndrome de Hubris (a presunção orgulhosa, a soberba de quem ostenta um poder e acredita saber tudo).

Na prática clínica, é necessário trabalhar com o espírito oposto, o da prudência da fronesis, esse sensato saber prático que decorre, sobretudo, do autoconhecimento (lembra-te de que a decadência institucional estrutural não é desculpa para se perder o profissionalismo).

Para manter ao longo da vida o trabalho clínico com ciência, consciência e coragem é preciso: 1) constância e perseverança (somos corredores de longo curso), 2) formação rigorosa (continuada e independente), 3) amor pela profissão, 4) fazer bem o que há que fazer (100% do que há que fazer) e não fazer o que não há que fazer (não fazer 100% do que não há que fazer) e 5) encontrar um “oásis” profissional onde se sentir “normal” neste caminho laico de perfeição.

O que é um médico?

Um médico é um profissional altamente qualificado que precisa de formação contínua ao longo de toda a vida, capaz de tomar decisões rápidas e geralmente acertadas com recursos limitados e em condições de grande incerteza. Ou seja, um médico não pode esperar que “a situação seja ideal” para fazer bem o seu trabalho, pois está preparado para fazê-lo nas duras circunstâncias habituais. A cultura da queixa de “quando tudo funcionar bem, eu também” e de “não há tempo” oculta muita ignorância e uma grande falta de ética e de profissionalismo.

Dito de outra forma: de um bom médico que tenha reputação profissional e social espera-se: 1) capacidade para realizar diagnósticos certeiros e oportunos (precoces apenas quando sejam benéficos), 2) uso prudente dos recursos preventivos, diagnósticos, terapêuticos e de reabilitação para maximizar benefícios e minimizar danos, e 3) habilidade para responder adequadamente às necessidades de pacientes complexos em situações reais de múltiplas limitações.

As quatro frentes do trabalho clínico

Seja no consultório do hospital, no serviço de urgência hospitalar ou dos Cuidados de Saúde Primários, no quarto do hospital, na consulta no centro de saúde, numa sala de operações, na casa do paciente ou em qualquer outro lugar, há quatro frentes no trabalho clínico:

1/ Cuidar no sofrimento: evitar, acompanhar e/ou paliar, testemunhar e validar o sofrimento e oferecer alternativas que melhorem a situação e sejam apropriadas segundo o contexto cultural, familiar, laboral e social de cada paciente. É um trabalho artesanal, de “ajustar” o melhor da ciência à imensa complexidade de cada padecimento, ao caleidoscópio de afetos, medos, paixões, sentimentos e temores de cada pessoa. É ter em conta aquilo que é clássico do “não há doenças, mas doentes” (no sentido empírico de que “adoecer é coisa de cada um, a doença é algo geral”). É acompanhar com humildade, respeitar a dignidade de pacientes, famílias e comunidades, é amar quem sofre (no sentido de amá-los como nos amamos a nós próprios), é cuidar com compaixão e ternura. É entender a saúde como capacidade de desfrutar da vida apesar das adversidades (em contraposição à definição orgiástica da Organização Mundial de Saúde de estado completo de bem-estar físico, psíquico e social). Assim como a coragem não é a ausência de medo, mas o seu controlo, a saúde não é a ausência de adversidades, mas o disfrutar da vida apesar delas. Trata-se de exercer uma Medicina harmónica que busque a concordância com o paciente, de forma que o médico e o paciente analisem as vantagens e desvantagens das alternativas possíveis (eficácia), e escolham as mais adequadas ao paciente e à sua situação, causando menos dano (efetividade), sem esquecer sempre o ponto de vista da sociedade (eficiência). Há pelo menos três chaves para exercer tal Medicina harmónica: a) compreender e aceitar que o objetivo dos cuidados de saúde não é diminuir morbilidade e mortes em geral, mas sim a morbilidade e mortalidade desnecessariamente prematuras e medicamente evitáveis; b) promover que os médicos exerçam com duas éticas sociais fundamentais, a da negativa (saber dizer “não” com amabilidade e fundamento) e a da ignorância (partilhar o que sabemos e apontar o muito que não sabemos); e c) ter, na prática clínica, compaixão, cortesia, piedade e ternura com os pacientes e seus familiares, com os colegas, com os superiores e consigo mesmo.

2/ Aprender e ensinar (a si mesmos, a estudantes, internos e colegas, a pacientes e famílias, a gestores e diretores, etc.) de forma constante, pois não há resposta perfeita nem permanente. Tal aprender tem muito de autoconhecimento, de reflexão diária, de imaginação (por exemplo, “experiências imaginárias” em que se “desbloqueie” a mente para conceber alternativas quase impensáveis na prática, mas que permitem sonhar que um outro mundo é possível). É um aprender que vai do concreto ao geral, do teórico ao prático, com o lema de “quem só sabe de medicina, nem de medicina sabe”, e isso exige conhecimentos sobre a experiência do adoecer além do bio-tecnológico, conhecimentos oriundos da arte em todas as suas formas e da antropologia, economia, filosofia, politologia e outras áreas. Desde logo, os erros ensinam muito (se formos conscientes de que é inevitável cometê-los: todos os médicos carregam um cemitério às costas, como disse o clássico). Diante dos erros, identificá-los, entendê-los, explicá-los a pacientes, famílias e colegas, pedir desculpas, reparar o dano na medida do possível e tomar medidas para que não se repitam.

3/ Gestão dos recursos que a sociedade coloca à disposição dos médicos (em sistemas públicos e privados), entre os quais o mais importante e sagrado é o seu próprio tempo. O tempo que cada médico dedica a cada consulta-intervenção deve ser apropriado e proporcional, tentando não cumprir a Lei de Cuidados Inversos (recebe mais cuidados quem menos precisa deles, e isso cumpre-se mais fortemente quanto mais o sistema de saúde se orienta para o privado). Um médico de família em Portugal pode fazer mais de 200.000 consultas ao longo da sua vida profissional, e em cada uma delas se lhe apresentará de forma única e irrepetível o dilema ético entre a irracionalidade romântica (tudo para o paciente) e a irracionalidade técnica (tudo para a sociedade). Para resolvê-lo, naturalmente, não basta apenas o conhecimento científico, limitado e enviesado, mesmo na sua melhor versão, pois o exercício clínico tem muito de arte e de resolução inteligente de problemas insolúveis, se este quási oxímoro me é permitido.

4/ Investigação, que não é mais do que fazer perguntas importantes e tentar encontrar respostas. Por exemplo, os profissionais que chegam atrasados ao trabalho, são também os que saem mais cedo? Se vou a um congresso-curso e sou convidado por um laboratório, em que é que isso mudará a minha prática clínica? Pode ser útil na clínica medir o tempo que um paciente leva entre levantar-se da sala de espera e chegar à porta da minha consulta? Prescrevo mais antibióticos às sextas-feiras do que às segundas e porquê? Melhora o clima na consulta ter flores naturais na mesa? São precisos os exames pré-operatórios realizados no meu hospital? Por que não fazemos sessões conjuntas entre profissionais de Cuidados de Saúde Primários e hospitalares sobre os pacientes que “partilhamos” com a polícia, os tribunais e serviços sociais? Muitos médicos usam o estetoscópio pendurado no pescoço, será porque o utilizam mais do que os outros? Qual a frequência das consultas por terceiros e a que se devem? Somos conscientes de que, como médicos, não cumprir os horários é corrupção? O paciente que chora gera “alta tensão emocional”, como respondo na minha consulta? Nos corredores do meu hospital dão-se notícias terríveis às famílias dos pacientes, há forma de o fazer melhor? Etc. São questões sobre as “pequenas coisas”, aquelas que não costumam dar lugar a ensaios clínicos, mas que são chave para manter o interesse e a curiosidade durante décadas.

Para manter ao longo da vida o trabalho clínico com ciência, consciência e coragem é preciso:

1/ Constância e perseverança, estar preparados para o fracasso e a derrota, uma vez que a sociedade segue outro caminho que pretende ignorar a existência da adversidade, do sofrimento e da morte (no final, todos os pacientes acabam por morrer, pois “os corpos encontram a forma de morrer”). Não somos Jesus Cristo, não ressuscitaremos ninguém, o nosso trabalho é pequeno e humilde, apenas evitar algumas mortes evitáveis, ouvir sem julgar, aceitar uma prática de prevenção de males maiores, identificar erros, ser humildes e buscar a prática prudente da fronesis (a hubris médica típica costuma praticar-se a partir de torres de arrogância com fundações na ignorância). Somos corredores de longo curso, dispostos a manter a dignidade própria e a dos colegas, pacientes e famílias ao longo de décadas. Perdedores, sim, mas nunca exaustos. Sem esmorecer, pois sabemos que a virtude revolucionária é a constância. Assim, perdedores, sim, mas incombustíveis e indomáveis em busca de uma utopia que nos move. Mantendo o nosso compromisso ético, profissional e social com os marginalizados, não nos calamos para manter a esperança, sabendo que a desesperança é uma forma de deslealdade. A derrota não torna uma causa injusta; pelo contrário, deveria incitar-nos a continuar, porque «estamos derrotados, não amestrados». «Penso que é necessário educar as novas gerações no valor da derrota. Em lidar com ela. Na humanidade que dela emerge. Em que se pode falhar e recomeçar sem que o valor e a dignidade sejam afetados».

2/ Formação rigorosa (continuada e independente), centrada no que é frequente em cada especialidade e local, e no que é importante em geral. Sabendo que o que hoje nos parece “o estado da arte” amanhã será “a barbaridade que fizemos”, e isso não deve levar à inação, mas ser um impulso para essa formação continuada que é relativamente fácil de alcançar se se centrar na prática clínica, como já referi. Por exemplo, sessões clínicas sobre pessoas que morreram sozinhas em casa, ou sobre quem se suicidou, na forma de “autópsias sociais”, que nos ajudem a aprender e corrigir possíveis falhas e erros. Ou com sessões e divulgação de “recuos na Medicina”, os “medical reversals”, quando se demonstra que um conhecimento é errado. Também, a crítica científica e ética aos protocolos, orientações e algoritmos que supostamente “ajudam” nas decisões clínicas. Assim como a atualização constante em terapêutica, desde a cirúrgica até à farmacológica. Hoje existem recursos online muito dignos em várias línguas que trazem todo esse conhecimento de forma compreensível para o médico “médio” interessado em atualizar-se. Convém ser mais um médico “de cotovelos” (de estudo e formação pessoal) do que um médico “de ouvido” (de acompanhamento de aulas, palestras e conferências).

3/ Amor ao ofício de modo que, ao fim de cada jornada, possamos dizer que desfrutamos do que é “cada dia” e suportamos o “insuportável ocasional”. Não deveríamos entender “a vida” como o tempo que há entre o final do trabalho de um dia e o início do trabalho no dia seguinte. A vida inclui o gozo do trabalho que fazemos na nossa pequena parcela clínica, esse aprender a cada dia em cada consulta, esse fazer perguntas para melhorar. Como se suporta essa consulta difícil, esse erro incompreensível, essa consulta sagrada mal resolvida? Com amor ao ofício, desfrutando de cada encontro clínico, procurando o melhor, aprendendo com cada caso bem/mal resolvido, aceitando que sabemos muito pouco, partilhando com os pacientes e famílias as dúvidas e pedindo perdão a tempo. É, também, saber que somos heróis no trabalho no sentido de fazer o que se deve, chegar a horas, cumprir o horário e estudar constantemente.

4/ Fazer bem o que há que fazer (100% do que há que fazer) e não fazer o que não há que fazer (não fazer 100% do que não há que fazer). Conseguir isso é uma tarefa impossível, uma utopia que nos norteia e nos permite movermo-nos com certa segurança no “caminho da perfeição”, para saber que estamos no bom trilho, mas nada mais. Convém aceitar uma prática que consiga, por exemplo, fazer 80% do que há que fazer, e 20% do que não há que fazer (como consolo, no total 80+20, 100%!). As práticas de baixo valor, aquelas que produzem mais danos do que benefícios, são universalmente aceites e estão implantadas com raízes profundas; por exemplo, os check-upsem geral e as vigilâncias “da criança saudável” em particular; também os pré-operatórios já referidos, o uso de estatinas “até à morte” (literalmente), a recomendação de baixar a febre sempre e a todo o custo (inclusive com métodos físicos), o uso de corticoides intra-articulares na artrose do joelho, etc. Daí a necessidade constante de aprender e estudar, já mencionada.

5/ Encontrar um “oásis” profissional onde nos sintamos “normais” neste caminho laico de perfeição. Não somos de ferro, é difícil para nós, inclusive, o “médico, cura-te a ti mesmo”. Precisamos de um grupo com o qual nos identifiquemos, no qual nos ajudem, um oásis que nos permita descansar e recuperar forças. São o que se chamam “colegas invisíveis”, definidos já no século XVII, grupos de profissionais científicos que se reconhecem entre si, partilham estudos e descobertas e reconhecem outros profissionais como iguais, integrando-os no grupo. Existem muitos, por exemplo, nos Cuidados de Saúde Primários em Espanha e Portugal, os SIAP (Seminarios de Innovación en Atención Primaria). Precisamos de um grupo para nos sentirmos acompanhados, para criar conhecimento coletivo, para saber que passamos “a chama” às gerações jovens.

Síntese

Podemos manter ciência, consciência e coragem na prática clínica ao longo de toda a vida (e não perecer no esforço)

* se formos conscientes das quatro frentes que sustentam o trabalho clínico
- cuidar no sofrimento
- aprender-ensinar
- gerir
- investigar

* e se formos capazes de
- ter constância e perseverança
- nos formarmos continuamente
- ter amor ao ofício
- tentar fazer bem 100% do que há que fazer, e deixar de fazer 100% do que não há que fazer
- encontrar um “oásis” profissional onde nos sintamos “normais” neste caminho laico de perfeição

Resumo da conversa com o autor em 24 de outubro de 2024 em Toledo (Espanha), na abertura do ‘VI Congresso Médic@os Jóvenes’ https://www.comtoledo.org/vi-congreso-de-medicos-jovenes-del-24-al-26-de-octubre/Participação pro bono. É um resumo “oral”, se precisar de alguma bibliografia que tenha inspirado um parágrafo concreto, contacte o autor jjgervas@gmail.com

Disponível também em vídeo https://ahoramqnunca.blogspot.com/2024/11/como-mantener-lo-largo-de-toda-la-vida.html

Tradução de Mónica Granja, Porto (Portugal), Medicina Geral e Familiar
monicagranja66@gmail.com

lunes, 4 de noviembre de 2024

La política es la continuación de la pala - Carta abierta a un voluntario




Has cogido una pala y te has acercado  a Paiporta, a Picanya o a Alfafar a limpiar lodo.

No tenías pala y has usado un tablero para achicar agua. 

Has visto el desastre y no has aguantado sentado mirando el móvil (como decimos los mayores que os pasáis el día los jóvenes).

Estabas a las siete y media de la mañana en la Ciudad de las Artes y las Ciencias y te has tenido que volver a casa porque los autobuses estaban llenos. 

Has caminado varios kilómetros cargado con garrafas de agua.

Has colaborado en tu ciudad en la recogida de material para las víctimas. 

Has puesto tu profesión a disposición de los damnificados.

Contemplas con indignación la desesperadamente lenta y débil respuesta del Estado a la catástrofe, la nefasta gestión de las alertas previas a la misma.

Observas con una mezcla de tristeza y rabia la dinámica política de enfrentamiento y división, mientras que te enorgullece la disponibilidad de cientos, de miles de personas volcadas en ayudar, con los que sientes un lazo invisible de fraternidad. 

Esto pasará. Va a tardar, pero pasará. Las consecuencias personales, materiales, sociales, económicas serán duras y duraderas. Pero pasará. Se dejará de oír la voz de los vecinos en los medios, porque también la tragedia cansa al espectador. Irán apareciendo otras noticias, vendrán los programas benéficos en la televisión por Navidad, con famosos atendiendo llamadas y recibiendo donativos.

Pero después llegará la fase más dura para las víctimas, la de lidiar con las ausencias de los fallecidos, con la burocracia del Estado, con la reconstrucción de las zonas arrasadas y con la falta de atención mediática, que volverá a la zona cuando se cumplan fechas señaladas y nos irán recordando que se cumple un mes de la riada, luego un año y luego nada… 

Volverás a tu trabajo, a tus estudios, a tu vida cotidiana.

Y ahí se jugará, de nuevo, todo. 

Ahí se jugará dedicar tiempo y dinero a la limpieza y mantenimiento de los cauces, para que la próxima riada los pille limpios.

Ahí se jugará asegurar planes urbanísticos más humildes y seguros, más conscientes de que vivimos en un entorno que debemos cuidar.

Ahí se jugará acabar con la burocracia que aplasta y oprime, el peso del papel por triplicado, la cita previa y la fotocopia compulsada.

Ahí se jugará revisar y rediseñar protocolos de emergencias y ajustarlos a la experiencia.

Ahí se jugará la generación de una dinámica política que, desde una legítima diferencia de posiciones ideológicas, sea capaz de aunar esfuerzos.

Ahí se jugará la ordenación política y la distribución de competencias que permita prevenir catástrofes como esta y darles la respuesta adecuada.

Y todo  no se hará sin política. Y servirás a los vecinos de Torrent y de Aldaia, de Utiel y de Requena, de Catarroja y de Massanassa más de lo que lo estás haciendo ahora. No te estoy pidiendo que dejes lo que estás haciendo, al contrario, te pido que lo lleves más allá. Que cuando dejes la pala sigas con la política.

 cuando lo urgente termine empezará lo importante. Y a veces lo importante nos mueve menos que lo urgente.

Sé que a veces lo importante nos parece complicado y se lo dejamos a los que saben. Pero no te preguntaste si sabías organizar una recogida de material. 

No te preguntaste si sabías usar una mesa para achicar agua.

No te preguntaste si sabías para quitarte horas de sueño ni dinero de tu cuenta.

Lo has hecho porque es lo que toca.

Juzgamos la política por sus protagonistas y en este caso el suspenso es mayúsculo. No queremos parecernos a ellos. Pero el reto de no parecernos a ellos no se resuelve evitando la política, sino haciéndola de un modo diferente.

Cuando llegue el momento de guardar la pala con la que has limpiado el lodo de las calles, las casas y los comercios, empezará el tiempo de seguir sirviendo a los demás desde la política. Cuando llegue ese día, no te borres. Trabaja desde el lugar que creas que debes hacerlo, pero no te borres. La política es la continuación de la pala.

Ahora más que nunca: verdadero socialismo

Diego Velicia

sábado, 2 de noviembre de 2024

"Cómo mantener a lo largo de toda la vida ciencia, conciencia y coraje en la práctica clínica (y no perecer en el intento)"[1],[2]

Juan Gérvas, médico general rural jubilado, Equipo CESCA, Madrid, España

jjgervas@gmail.com www.equipocesca.org @JuanGrvas

 

Resumen

Cada día en el trabajo médico se puede hacer un inmenso bien, en esos encuentros con quien sufre, incluso en las condiciones infernales de esta Medicina que se enseña y se practica de torres de arrogancia con cimientos de ignorancia, con ese autoritarismo médico que llega a síndrome de hubris (la desmesura orgullosa, la soberbia de quien ostenta un poder y cree saber todo).

En la práctica clínica hay que trabajar con el espíritu opuesto, el de la prudencia de la frónesis, ese sereno saber práctico que procede sobre todo del auto-conocimiento (recuerda que el deterioro institucional estructural no es excusa para la pérdida del profesionalismo).

Para mantener a lo largo de la vida el trabajo clínico con ciencia, conciencia y coraje se precisa: 1/ constancia y perseverancia (somos corredores de largo recorrido), 2/ formación rigurosa (continuada e independiente), 3/ amor al oficio, 4/ hacer bien lo que hay que hacer (el 100% de lo que hay que hacer) y no hacer lo que no hay que hacer (no hacer el 100% de lo que no hay que hacer) y 5/ encontrar un “oasis” profesional donde sentirse “normal” en este camino laico de perfección.

 


¿Qué es un médico?

Un médico es un profesional altamente cualificado que precisa de formación continuada a lo largo de toda la vida, capaz de tomar decisiones rápidas y generalmente acertadas en condiciones de restricción de recursos y de gran incertidumbre. Es decir, un médico no puede esperar a que “la situación sea ideal” para hacer bien su trabajo pues está preparado para hacerlo en las duras circunstancias habituales. La cultura de la queja del “cuando todo funcione bien, yo también”, “no hay tiempo” oculta mucha ignorancia y gran falta de ética y de profesionalismo.

Dicho de otra manera: de un buen médico que tenga reputación profesional y social se espera: 1) capacidad para realizar diagnósticos certeros y oportunos (precoces sólo cuando sean beneficiosos), 2) uso prudente de los recursos preventivos, diagnósticos, terapéuticos y rehabilitadores para maximizar beneficios y minimizar daños, y 3) habilidad para responder apropiadamente a las necesidades de pacientes complejos en situaciones reales de limitaciones múltiples.

 

Las cuatro patas del trabajo clínico

Sea en el despacho en el hospital, en urgencias hospitalarias o de atención primaria, en la habitación del hospital, en la consulta en el centro de salud, en un quirófano, en el domicilio del paciente o en cualquier otro lugar, en el trabajo clínico hay cuatro frentes:

 

1/ la atención al sufrimiento: el evitarlo, acompañarlo y/o paliarlo. Es el ser testigos, dar fe del sufrimiento y ofrecer alternativas que mejoren la situación y sean apropiadas según la situación cultural, familiar, laboral y social de cada paciente. Es un trabajo de artesanía, de “acoplar” lo mejor de la ciencia a la inmensa complejidad de cada padecer, al caleidoscopio de afectos, miedos, pasiones, sentimientos y temores de cada persona. Es tener en cuenta aquello clásico del “no hay enfermedades sino enfermos” (en el sentido empírico de “el enfermar es cosa de cada cual, la enfermedad algo general”). Es acompañar con humildad, es respetar la dignidad de pacientes, familias y comunidades, es amar al que sufre (en el sentido de amarlos como nos amamos a nosotros mismos), es atender con compasión y ternura. Es entender la salud como capacidad de disfrutar de la vida pese a las adversidades (en contra de la definición orgiástica de la Organización Mundial de la Salud de estado completo de bienestar físico, psíquico y social). Se trata de ejercer una Medicina Armónica que busca la concordancia con el paciente, de forma que el médico y el paciente analicen las ventajas e inconvenientes de las alternativas posibles (eficacia), y elijan las más adecuadas al paciente y a su situación y que causen menos daño (efectividad), sin olvidar siempre el punto de vista de la sociedad (eficiencia). Hay al menos tres claves para ejercer tal Medicina Armónica: a/ comprender y aceptar que el objetivo sanitario no es disminuir morbilidad y muertes en general, sino la morbilidad y mortalidad innecesariamente prematura y sanitariamente evitable (MIPSE), b/ promover que los médicos ejerzan con dos éticas sociales fundamentales, la de la negativa (saber decir “no” con amabilidad y fundamento), y la de la ignorancia (compartir lo que sabemos y señalar lo mucho que no sabemos) y c/ tener en la práctica clínica compasión, cortesía, piedad y ternura con los pacientes y sus familiares, con los compañeros, con los superiores y con uno mismo.

 

2/ el aprender y enseñar (a uno mismo, a estudiantes-residentes-compañeros, a pacientes-familias, a gestores-gerentes, etc) constante pues no hay respuesta perfecta ni permanente. Tal aprender tiene mucho de auto-conocimiento, de reflexión diaria, de imaginación (por ejemplo, “experimentos imaginarios” en que se “desbloquee” la mente para suponer alternativas casi impensables en la práctica, pero que permiten soñar con que otro mundo es posible). Es un aprender que va de lo concreto a lo general, de lo teórico a lo práctico, con el lema de "quien sólo sabe de medicina, ni de medicina sabe", y ello exige conocimientos más allá de lo bio-tecnológico sanitario, procedentes del arte en todas sus formas y de la antropología, la economía, la filosofía, la politología y otras áreas sobre la experiencia del enfermar. Desde luego, enseñan mucho los errores (si somos conscientes de que es inevitable cometerlos: todos los médicos llevamos un cementerio a la espalda, que dijo el clásico). Ante los errores, identificarlos, entenderlos, explicarlos a pacientes-familias-compañeros, pedir perdón, reparar el daño en lo posible y tomar medidas para que no se repitan.

 

3/ la gestión de los recursos que la sociedad pone a disposición de los médicos (en sistemas públicos y en privados), entre los cuales el más importante y sagrado, su propio tiempo. El tiempo que cada médico dedica a cada consulta-intervención tiene que ser apropiado y proporcionado, intentando no cumplir la Ley de Cuidados Inversos (recibe mayor atención quien menos la precisa y esto se cumple más intensamente cuanto más se oriente a lo privado el sistema sanitario). Un médico clínico español puede atender unas 250.000 consultas a lo largo de su vida profesional y en cada una de ellas se le planteará de forma única e irrepetible el dilema ético entre la irracionalidad romántica (todo para el paciente) y la irracionalidad técnica (todo para la sociedad). Para resolverlo, naturalmente, no basta sólo el conocimiento científico, limitado y sesgado, incluso en su mejor versión, pues el ejercicio clínico tiene mucho de arte y de resolución inteligente de problemas insolubles, si vale este cuasi-oxímoron.

 

4/ la investigación, que no es más que hacerse preguntas importantes e intentar encontrar respuesta. Por ejemplo, los profesionales que llegan tarde al trabajo, ¿son también los que se van antes? Si voy a un congreso-curso y me invita un laboratorio ¿en qué cambiará mi práctica clínica? ¿Puede serme útil en la clínica el medir el tiempo que tarda un paciente entre levantarse de su asiento y llegar a la puerta de mi consulta? ¿Prescribo más antibióticos los viernes que los lunes y por qué? ¿Mejora el clima en la consulta el tener flores naturales en la mesa? ¿Son precisas las pruebas pre-operatorias que se hacen en mi hospital? ¿Por qué no hacemos sesiones conjuntas profesionales de primaria y de hospital sobre los pacientes que “compartimos” con policía, juzgados y refugios? Muchos profesionales llevan “colgado” al cuello el fonendo ¿porque lo utilizan más que los que no lo llevan? Las consultas por tercera persona ¿qué frecuencia tienen y a qué se deben? ¿Somos conscientes los médicos que es corrupción el no cumplir con los horarios, y por qué se consiente tal “absentismo invisible”? El paciente que llora genera “alta tensión emocional” ¿cómo respondo en mi consulta? En los pasillos de mi hospital se dan noticias terribles a los familiares de los pacientes ¿no hay forma de hacerlo mejor? Etc. Son cuestiones sobre las “pequeñas cosas”, esas que no suelen dar lugar a ensayos clínicos pero resultan clave para mantener el interés y la curiosidad durante décadas.

 

Para mantener a lo largo de la vida el trabajo clínico con ciencia, conciencia y coraje se precisa:

 

1/ constancia y perseverancia, estar preparados para el fracaso y la derrota ya que la sociedad lleva otro devenir que pretende ignorar la existencia de la adversidad, el sufrimiento y la muerte (al final todos los pacientes se nos mueren pues “los cuerpos encuentran la forma de morir”). No somos Jesucristo, no resucitaremos a nadie, lo nuestro es pequeño y humilde, apenas evitar algunas muertes evitables, escuchar sin juzgar, aceptar una práctica de evitación de males mayores, identificar errores, ser humildes y buscar la práctica prudente de la frónesis (la hubris típica médica suele practicarse desde torres de arrogancia que tienen cimientos de ignorancia). Somos corredores de largo recorrido, dispuestos a mantener la dignidad propia y de compañeros, pacientes y familias a lo largo de décadas. Perdedores sí, pero nunca agotados. Sin cejar pues sabemos que la virtud revolucionaria es la constancia. Así que perdedores, sí, pero incombustibles e indomables en pos de un utopía que nos mueve. Manteniendo nuestro compromiso ético, profesional y social con los marginados, el no callar para mantener la esperanza sabiendo que la desesperanza en una forma de deslealtad. La derrota no vuelve injusta una causa, al contrario debería enardecernos para continuar por aquello de "estamos en derrota, que no en doma". «Pienso que es necesario educar a las nuevas generaciones en el valor de la derrota. En manejarse en ella. En la humanidad que de ella emerge. En que se puede fracasar y volver a empezar sin que el valor y la dignidad se vean afectados".

 

2/ formación rigurosa (continuada e independiente), centrada en lo frecuente en cada especialidad y lugar, y en lo importante en general. A sabiendas de que lo que hoy nos parece “el estado del arte” mañana será “la barbaridad que hicimos”, y ello no debería llevar a la inacción sino ser acicate para esa formación continuada que es relativamente fácil de lograr si se centra en la práctica clínica, como he comentado. Por ejemplo, sesiones clínicas sobre personas muertas en soledad en su domicilio, o sobre quien se ha suicidado, en forma de “autopsias sociales” que nos faciliten el aprender y corregir posibles fallos y errores. O con sesiones y difusión del “recular en Medicina”, los “medical reversals”, cuando un conocimiento aceptado se demuestra que es erróneo. También, la crítica científica y ética a los protocolos, guías y algoritmos que se suponen “ayudan” en la decisiones clínicas. Así mismo, la actualización constante en terapéutica, desde quirúrgica a farmacológica. Hoy existen bitácoras muy dignas en español que acercan todo este conocimiento en forma comprensible para el médico “medio” con interés en la actualización. Conviene ser más un médico “de codos” (de estudio y formación personal) que un médico “de oreja” (de seguimiento de clases, charlas y ponencias).

 

3/ amor al oficio de forma que al cabo de cada jornada podamos decir que hemos disfrutado de lo de “cada día” y  soportado lo “insoportable ocasional”. No deberíamos entender “la vida” como el tiempo que hay entre el final del trabajo de un día y el comienzo del trabajo el día siguiente. La vida incluye el disfrute gozoso del trabajo que hacemos en nuestra pequeña parcela clínica, ese aprender cada día en cada consulta, ese hacernos preguntas para mejorar.  ¿Cómo se soporta esa consulta difícil, ese error incomprensible, esa consulta sagrada mal resuelta? Con el amor al oficio, disfrutando de cada encuentro clínico, buscando lo mejor, aprendiendo de cada caso bien/mal resuelto, aceptando que sabemos muy poco, compartiendo con los pacientes-familias las dudas y pidiendo perdón a tiempo. Es, también, saber que somos héroes en el trabajo en el sentido de hacer lo que se debe, llegar a tiempo, cumplir el horario y estudiar constantemente.

 

4/ hacer bien lo que hay que hacer (el 100% de lo que hay que hacer) y no hacer lo que no hay que hacer (no hacer el 100% de lo que no hay que hacer). El lograrlo es una tarea imposible, una utopía que marca la Estrella Polar y que nos permite movernos con cierta seguridad en el “camino de perfección” para saber que estamos en la buena trocha pero nada más. Conviene aceptar una práctica que consiga, por ejemplo, hacer el 80% de lo que hay que hacer, y el 20% de lo que no hay que hacer (como consuelo, en suma 80+20, ¡el 100%!). Las prácticas de bajo valor, aquellas que producen más daños que beneficios, son universalmente aceptadas y están implantadas con raíces profundas; por ejemplo, los chequeos en general y las revisiones “del niño sano” en particular; también los pre-operatorios ya citados, el uso de estatinas “hasta la muerte” (literal), la recomendación de bajar la fiebre siempre y a toda costa (incluso con métodos físicos), el uso de corticoides intra-articular en la artrosis de rodilla, etc. De ahí la necesidad constante de aprender y de estudiar, ya citada.

 

5/ encontrar un “oasis” profesional donde sentirse “normal” en este camino laico de perfección. No somos de hierro, nos es difícil incluso el “médico, cúrate a ti mismo”. Necesitamos un grupo en que identificarnos, en que ayudarnos, un oasis que nos permita descansar y tomar fuerza. Son lo que se llaman “colegios invisibles”, definidos ya en el siglo XVII, grupos de profesionales-científicos que se reconocen entre sí, comparten estudios y hallazgos y reconocen a otros profesionales como iguales y los incorporan al grupo. De ellos hay muchos, por ejemplo en atención primaria en España, los Seminarios de Innovación en Atención Primaria. Precisamos un grupo para sentirnos acompañados, para crear conocimiento colectivo, para saber que pasamos “la antorcha” a generaciones jóvenes.

 

Síntesis

Podemos mantener a lo largo de toda la vida ciencia, conciencia y coraje en la práctica clínica (y no perecer en el intento)

-si somos conscientes de las cuatro patas en que se sustenta el trabajo clínico

1.   atender al sufrimiento
2.   aprender-enseñar
3.   gestionar
4.   investigar
-y si somos capaces de
1.   tener constancia y perseverancia
2.   formarnos de continuo
3.   tener amor al oficio
4.   tratar de hacer bien el 100% de lo que hay que hacer, y dejar de hacer el 100% de lo que no hay que hacer.
5.   encontrar un “oasis” profesional donde sentirse “normal” en este camino laico de perfección

 

[1]Resumen de la charla pronunciada por el firmante el 24 de octubre de 2024 en Toledo, en la inauguración del VI Congreso Médic@s Jóvenes https://www.comtoledo.org/vi-congreso-de-medicos-jovenes-del-24-al-26-de-octubre/ Sine pecunia

[2]Este es un resumen “oral”, si precisa alguna bibliografía que haya inspirado un párrafo concreto, escriba al autor.


+ Info

https://saludineroap.blogspot.com/2024/10/como-mantener-lo-largo-de-toda-la-vida.html

lunes, 28 de octubre de 2024

JUSTICIA Y MAYORÍAS PARLAMENTARIAS


En democracia estamos acostumbrados a dar por seguro que la mayoría es la que tiene la razón y tiene derecho a imponer su visión al resto de la sociedad, por tanto, también sus decisiones. Pero lo cierto es que no hay democracia si no se respetan los derechos de las minorías por mínimas que sean, incluso los derechos de una única persona. Las mayorías están limitadas por el derecho y la justicia.

La democracia tiene que asentarse en el respeto a los Derechos Humanos de todos los ciudadanos, pero también sobre la justicia que está al servicio de las personas en su proceso de humanización. Por eso la justicia no puede basarse simplemente en las leyes aprobadas por el parlamento sino que debe tener una dimensión ética, la que sustenta las afirmaciones que salen de la conciencia de las personas como un grito: ¡Esta Ley es injusta! ¡Esto es un abuso aunque sea legal!

Si las leyes se basan en los deseos y convenciones de las mayorías parlamentarias, como acostumbran razonar los políticos que están en el poder, quiere decir que se fundamentan en intereses corporativos o en la fuerza de la mayoría. Esto es en los intereses del poder, que tiene poco que ver con la justicia como un bien universal y trascendente. La justicia propiamente dicha no se puede vincular a los intereses de la clase política o de los partidos, tampoco a los intereses egoístas de los grupos sociales o también a los de la nación como proclaman los nacionalismos periféricos o centralistas.

La verdadera justicia es un objetivo a conseguir. Se basa en la dignidad de la persona de acuerdo a su naturaleza personal y social. No puede olvidarse la realidad del llamado derecho natural que se fundamenta en lo que es la condición humana, en nuestro ser persona. Si las leyes sólo se basan en convenciones sociales, lo que es un derecho o una ilegalidad depende de las conveniencias de los gobernantes del momento.

A las democracias actuales aún les queda un largo recorrido para que concuerden con la clásica definición de democracia: “El gobierno del pueblo, por el pueblo y para el pueblo”. A estas democracias vigentes, que se asientan en una constitución, se adecúan mejor a lo que escribió Lucas Verdú: “La Constitución aparece como la expresión jurídica fundamental que culmina el acto jurídico de institucionalización del poder".

Así cuando algún ministro sugiere que los jueces deben hacer las sentencias teniendo en cuenta las mayorías parlamentarias, sabemos que quiere aumentar su poder, por tanto, abusar del poder, lo que en el fondo no deja de ser corrupción. Se estaría queriendo volver al concepto medieval de que la ley no obliga al príncipe.

Para trabajar por la justicia ayuda la conocida la afirmación de Lord Acton, historiador católico inglés, en una carta al obispo anglicano Mandel Creighton en 1887: “Todo poder tiende a corromper y el poder absoluto corrompe absolutamente”. Por eso es necesaria la división de poderes y poner límites a los gobernantes en el ejercicio de su poder, ya que a menudo tienden a abusar de él. Es necesario socializar y repartir el poder entre los ciudadanos para que no se concentre en pocas manos, al tiempo que se lucha contra las tendencias egocéntricas y ególatras de los que llegan al poder.

Un cristiano debe saber y ser consecuente con esta afirmación de Jesús: “Sabéis que los que son tenidos como jefes de las naciones, las dominan como señores absolutos y sus grandes las oprimen con su poder. Pero no ha de ser así entre vosotros, sino que el que quiera llegar a ser grande entre vosotros, será vuestro servidor, y el que quiera ser el primero entre vosotros, será esclavo de todos” (Mc. 10, 42-44). Y Jesús vivió coherentemente con esto.

Entiendo que era evangélico y sabio aquel monje que, al elegirlo sus hermanos como abad, aceptó con la condición de que hubiera dos monjes, por lo menos, que al final del día como obligación le dijesen todo lo que había hecho mal en su actuar. ¡Tanta sabiduría y humanidad aun no la he encontrado en nuestras autoridades!

No habrá duda de que la actitud libre y profética ante el poder para limitar su uso abusivo es una obligación ética de justicia, es una actitud realmente democrática.

Ahora más que nunca. Justicia

Antón Negro





domingo, 27 de octubre de 2024

CORZO - 20 Aniversario Fundación Ideas

El pasado jueves 24 de octubre de 2024 celebramos las II JORNADAS PEDAGÓGICAS MILANIANAS en la Facultad de Ciencias de la Educación Universidad de Sevilla.
Organizadas por el Departamento de Teoría e Historia de la Educación y Pedagogía social, el Movimiento de educadores Milanianos y la Fundación Ideas en su XX Aniversario; contó con la asistencia de 180 alumnos de Educación y Pedagogía.
El evento fue presentado por los profesores de esta facultad Doña @Dolores Limón Domínguez y Don José González Monteagudo. Contó con las brillantes intervenciones de los profesores de esta facultad Doña @Virginia Guichot Reina y Don @Antonio Aguilera Jimenez.
También pudimos disfrutar de la extraordinaria disertación de Don José Luis Corzo Toral, profesor emérito de la Universidad de Salamanca, Promotor del Movimiento de Educadores Milanianos, de la Revista Educarnos, de la Casa Escuela Santiago Uno y de la Granja Escuela Lorenzo Milani.
Durante toda la mañana pudimos recrearnos con la exposición CIEN AÑOS DE LORENZO MILANI que estuvo en el Patio de la Facultad.
Una JORNADA PEDAGÓGICA muy interesante y que sirvió para dar a conocer la PEDAGOGÍA DE BARBIANA impulsada por LORENZO MILANI, uno de los grandes pedagogos del siglo XX.

“Soledades y solidaridad, en la clínica, la comunidad y la sociedad”[1] -Síntesis final y entrevistas de radio-


El SIAP fue convocado con el lema de “Soledad y solidaridad, en la clínica, la comunidad y la sociedad” pero es tal la polisemia de la palabra “soledad” que más valdría hablar de soledades. 

Soledad como sentimiento (vivencia personal) distinto de aislamiento social (situación de escasos o nulos contactos con otras personas).

El aislamiento social lleva a la soledad, generalmente a soledad no deseada por más que antropológica y filosóficamente el humano no puede estar nunca solo (es un ser político, relacional y social al que envuelve para siempre la sociedad, quiera o no) ,y, al tiempo, en el humano la soledad sea una realidad consustancial (por ser un organismo vivo).

Soledades

En cuanto a soledad hay:

·    Soledad voluntaria, más o menos gozosa, que es soledad deseada y aceptada, a veces 1/ por forma de ser, 2/ a veces temporal, a veces permanente, 3/ a veces como privilegio, 4/ a veces en compañía, comunidad o multitud, 5/ a veces sofisticada (a la moda, falta de naturalidad), 6/ a veces como opción religiosa-filosófica (lo expresa bien Teresa de Ávila en "Sabéis que mi sinfonía es un canto a mi amada soledad"), 7/ a veces en la enfermedad, incluso hasta la muerte, 8/ a veces como forma de auto-castigo, 9/ a veces por el trabajo (en lugares extremos como faros en el fin del mundo, satélites artificiales, desiertos, altas horas de la madrugada en urgencias hospitalarias, etc), 10/ a veces en áreas concretas como la sexualidad y el sexo y el deporte (navegación y alpinismo en solitario, por ejemplo), 11/ para evitar males mayores (“la verdad, estoy mal, pero prefiero estar sola a mal acompañada”), etc

·    Soledad involuntaria, que no es deseada, muchas veces consecuencia del aislamiento social, que suele incomodar (pero no siempre, hay quien pasa de la soledad impuesta a la voluntaria, al aceptar-sublimar la imposición), 1/ por circunstancias sociales (enfermedad que conlleva reclusión a domicilio en paciente que vive en solitario, separación matrimonial con pérdida de trabajo y de custodia de hijos, por ejemplo, que en varones alcohólicos puede llevar a vivir y morir en soledad en la calle, ignorancia del idioma de los sordos lengua de signos-señas, falta de atención a pacientes con minusvalías varias, conducta propia desagradable y/o insultante con familiares y vecinos, etc), 2/ en el sistema académico-educativo (acoso en el patio, aulas y en el contexto, cancelación en la universidad por disidencia-independencia creativa e intelectual, etc), 3/ por el sistema socio-sanitario (con/sin fundamento como confinamiento en la pandemia, aislamiento en casos especiales de enfermedades infecciosas, de enfermedad mental grave, ingreso en urgencias, atención al parto, ingreso en neonatología o en la Unidad de Cuidados Intensivos, en la cama del hospital, residencias de ancianos, etc, más duro si hay sujeciones mecánicas y/o imposición legal), 4/ en el sistema legal-penal (destierro, ingreso en calabozos, cárceles, reformatorios, centros de inmigrantes, por miedo por falta de “papeles”, etc, especialmente en las celdas de “aislamiento” y más duro si hay violencia y/o sujeciones mecánicas y similares), 5/ por la marginación (por ejemplo, migración y pobreza con rechazo por características varias como la estigmatización racial que impide el normal contacto social), por el paso de los años y la consecuente pérdida de la red de familiares, compañeros y amigos coetáneos (agravada por el edadismo y el aislamiento social que conlleva), 6/ por segregación de espacios geográficos y vivenciales por edades (separación artificial que conlleva en muchos casos soledad impuesta), 7/ por razones ideológicas y políticas (el ostracismo clásico, hoy ejercido de mil formas a través del “ignorar” y de la “cancelación” en Redes y en la vida profesional, académica y diaria, etc), 8/ por esclavitud y otras situaciones de explotación; etc

·    Soledad “normal”, ni voluntaria ni involuntaria, una segunda piel y forma de vivir sin apreciar la soledad, como “condición de vida” y característica que se acepta como la salida diaria del Sol; por ejemplo mujeres ancianas viudas sobrevivientes en el medio rural “vaciado”, autosuficientes con sus pensiones, huertas y animales, que aceptan compañía ocasional pero no la buscan.

La soledad puede llegar a ser un problema de salud, pero no es un problema meramente sanitario

La soledad no es casi nunca un problema sanitario ni están indicadas las respuestas médicas, como las “prescripciones sociales” (en general sin fundamento científico y, además, hechas muchas veces desde un podio de ignorancia de la dinámica personal, familiar y comunitaria).

Hay intentos de solución, como la creación de un Ministerio de la Soledad en Japón y el Reino Unido y las muy diversas iniciativas de instituciones oficiales y privadas, que conllevan una respuesta concreta y sectorial. 

“A gran mal, pequeño remedio” pues estos intentos de solución ignoran y/o ocultan las causas tecnológicas, políticas, ideológicas, geográficas y económicas de la soledad no deseada. 

El sistema capitalista nos lleva a vivir en un mar de individualismo exacerbado, con “la casa como castillo” (para todo en la vida, incluso el trabajo y la diversión) y la interacción social personal como “el hiperenlace virtual permanente” (atrapados en una red de contactos a distancia que nos llega a atar y hace “innecesario” el roce físico con familiares, amigos, vecinos y compañeros). Por ello, el lema de oposición a tal individualismo es el de centenares de personas alrededor del espacio político que es el centro social Patio Maravillas, ubicado en en barrio de Malasaña, Madrid: “Nos quieren en soledad, nos tendrán en común”[2].

“Las pequeñas cosas”

La respuesta a la soledad requiere ciencia, conocimiento y coraje pues el núcleo del problema es el contexto (“no son los estilos de vida sino las condiciones de vida”). Las respuestas sencillas a problemas complejos suelen ser respuestas equivocadas, y la soledad requiere una perspectiva “humana” compleja, de amor, compasión, compromiso, dignidad, ética, humor, integridad, solidaridad, valores y ternura en que se pongan la vida y los cuidados en el centro de la actividad social. Es una perspectiva que pone “las pequeñas cosas”, lo cercano y local, como ingrediente básico para transformaciones mayores (“lo personal es político”).

La ausencia de tales respuestas se hace evidente, por ejemplo, en los casos de muertes en soledad no querida (muertes silenciosas y muchas veces silenciadas), en el propio domicilio, en ambulancias, en urgencias hospitalarias, en la calle, etc. También, en la negativa a escuchar en la consulta a quien ya no quiere vivir en condiciones que siente son indignas, o en la falta de sesiones clínicas que analicen las muertes de pacientes y sus circunstancias, incluyendo suicidios y en soledad, aunque sólo sea para dar testimonio de muertes de “nadies”, o en las carencias para dar respuestas grupales asistenciales.

¿Qué hacer?

Como hemos señalado, aunque la soledad no deseada tenga impacto en la salud (por ejemplo, en la enfermedad cardiovascular), conviene no “medicalizarla”, no estigmatizar con otro “diagnóstico” más, respetar y no victimizar a pacientes y de hecho, para empezar la casa por los cimientos, valdría la pena respetar siempre la autonomía del paciente, no violar sus derechos esenciales, recuperar lo mejor de la libertad clínica (la libertad fundada en ciencia de decir “no”) y evitar todas las soledades dañinas médicamente provocadas (evitar la iatrogenia, el calcular daños y beneficios de cada actividad sanitaria, individual o de salud pública, el tener el coraje de disentir con “lo que hay que hacer” que causa soledad involuntaria cuando no está justificado). 

En este sentido es clave el compromiso y la lealtad profesional con pacientes y población, ya que un sistema sanitario público de cobertura universal es la mejor expresión de la solidaridad, y un determinante clave de la salud. Por ello, para cumplir con el deber de acompañar y de dar testimonio del sufrimiento de pacientes, familias y comunidades (muchas veces relegados e ignorados por sus penurias económicas y su marginación social), es obligado actuar y hablar con coraje y valentía respecto a la mejora de las condiciones de vida y de asistencia, y estar al lado de pacientes, familias y comunidades, guiados por su experiencia en sus carencias, también sanitarias. Puesto que “lo cortés no quita lo valiente”, cuando sea oportuno  y con tacto, convienen la risa y el humor como “medicinas” para mejorar la salud, la comunicación y las “soledades” tanto profesionales como de pacientes.

En el propio sistema sanitario, nada como fomentar la libertad de organización y trabajo de los profesionales sanitarios que muchas veces se ven en soledad por pretender disfrutar del oficio a diario, por ejemplo haciendo “sus” domicilios y urgencias, llevando “su” cupo y rechazando las visitas de representantes farmacéuticos y las actividades de las industrias.

En lo social conviene también el respeto al “sujeto”, al pueblo, a la capacidad de cada cual para elegir entre seguridad y libertad, el promover una democracia participativa (también en la escuela y en todo ámbito), el aceptar la libertad de expresión, la independencia intelectual, los saberes tradicionales y demás. 

Así, conviene no contribuir a la soledad de los estigmatizados, marginados y marcados como “alternativos”, “contestatarios”, “diferentes”, “discrepantes”, “disidentes”, “heterodoxos”, “inconformistas”, "no normalizados", “raros", etc, esa soledad que percibimos tantas veces en nuestro entorno por promover lo científico, ético, “humano” y prudente; por ejemplo, el amor, compromiso, disfrute, oficio y ternura en el trabajo asistencial diario.

Todo ello es complejo y difícil, pero promueve desde abajo la convivencia y la cooperación, y evita la soledad no deseada.


[1]Resumen del debate virtual y presencial del Seminario de Innovación en Atención Primaria (SIAP) celebrado presencialmente en Losar de la Vera (Cáceres). Debate virtual desde el 1 de septiembre. Debate presencial 27 y 28 de septiembre 2024. Cuestión general: "Soledad y solidaridad en la clínica, la comunidad y la sociedad”.   https://perragorda5.wordpress.com/ En el SIAP de Losar de la Vera tuvimos un total de 168 inscripciones, incluyendo asistentes, ponentes y organizadores (113 mujeres, el 67%). En el debate virtual hubo un total de 469 intervenciones (246 de mujeres, el 53%). https://saludineroap.blogspot.com/2023/06/brecha-de-genero-en-la-participacion-en.html  Se anotaron para asistir al debate presencial 120 personas pero la media de presencia real en el auditorio de la Casa de la Cultura de Losar de la Vera fue de 96 (54 mujeres, el 56%). Hubo 153 intervenciones presenciales (82 de mujeres, el 54%)

[2]    https://lainvisible.net/es/node/484

domingo, 20 de octubre de 2024

Morir con dignidad. El ejemplo de Korczac; la terapia de Chochinov; y alguna cosa más

A principios de setiembre iniciábamos la fase virtual del 55º Seminario de Innovación en Atención Primaria -SIAP-. El 27 y el 28 del mismo mes, en Losar de la Vera, Cáceres, nos reuníamos un centenar de personas, ahora presencialmente, para terminar de compartir experiencias y reflexiones. El título del SIAP fue "Soledad y solidaridad en la clínica, la comunidad y la sociedad” 

 

En este seminario, Juan Gervas y Mercedes Pérez-Fernández presentaron una reflexión para ser debatida virtualmente con el título Muertes covid19. Muertes en soledad.

 

Incluyo algunos de sus párrafos (aquí toda su reflexión). 

 

…Muchos muertos fueron incinerados sin funeral alguno, o con normas absurdas acerca del mismo... 

 

…En 25 países estudiados, el 30% de los muertos covid19 fueron ancianos en asilos, siendo dicha población el 1% de la población total… Murieron por estar encerrados y mal cuidados en los asilos, pero también por consecuencia de los medicamentos con los que los “controlan”...

 

…También hubo mucha muerte en soledad en las Unidades de Cuidados Intensivos y en las urgencias hospitalarias...

 

…¿Por quién doblan las campanas? Por quienes mueren en soledad no querida. Por quienes no pueden acompañar a sus seres queridos al final de la vida. Por todos nosotros, por la falta de compasión, “humanidad”, piedad, solidaridad y ternura ante la muerte. Por la degeneración moral de una sociedad sin fundamentos éticos.


 


 

Morirse es la cuestión clave vital, es la última fase de la vida.

Nadie debería morir solo…

 

Con la gravedad de estas dos últimas frases terminaban su reflexión; a la que seguían tres preguntas que iniciaban los nutritivos debates. Lo que sigue ahora es mi respuesta a cada una de las preguntas con una pequeña reflexión inicial surgida tanto del texto de Juan y Mercedes como de las aportaciones que ya habían hecho otros compañeros en el seminario.  

 

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En el gueto de Varsovia invitaron a salvarse de los campos de concentración y los hornos a Janusz Korczak. Dirigía dos orfanatos. Era famoso en la época, incluso entre los alemanes. Si se salvaba, sus niños no podrían ir con él. Una de las últimas cosas que hizo fue preparar con sus niños la obra de teatro de Tagore El Cartero del Rey, donde una niña se prepara para morir. Y se mantuvo con ellos hasta que desaparecieron junto a él en el campo de exterminio de Treblinka. Durante la pandemia y sobre todo en los primeros criminales momentos, me venía una y otra vez a la mente esta historia de dignidad, amor y ternura. 
Cuando sabemos que se acerca el tiempo de morir, en todas las personas se da un anhelo de recapitular, de hacer "examen de conciencia" y reflexionar sobre el sentido de su existencia. Es una experiencia muy natural y espontánea. Casi lógica y humana, podríamos decir. La Terapia de la Dignidad de Chochinov (aquí) trabaja con este anhelo y organiza la experiencia en una especie de revisión de vida esperanzadora que ayuda a aliviar estrés, miedo y sufrimiento en este último trance vital. En la pandemia se zajó la posibilidad de que cientos, miles ¿millones de personas? en el mundo tuviesen esta experiencia tan necesaria para la propia despedida como para las despedidas de nuestros seres queridos. 
El miedo atroz que inocularon una y otra y otra y otra vez en el planeta entero generó robots. Óscar Terol, famoso humorista vasco, bromeaba en aquellos tiempos pandémicos respecto al número de miedos que podía soportar la población en este maravilloso vídeo.
¿Volverá a ocurrir y seremos igual de miedosos como sociedad? Igual peco de optimista, pero han habido oposiciones serias y palos en las ruedas de los poderosos en más de una ocasión. Quiero pensar que en una próxima pandemia no tendrán tan fácil la obediencia general. 

1.- ¿Has tenido algún caso cercano de muerte covid19 en soledad, familia, amigo, paciente, conocido…? Relata el caso, por favor
 Lo que más cerca me tocó fue una enfermera con la que compartí sesiones en un grupo de acompañamiento al duelo online. Le tocó sedar a sus padres en casa. Hacerlo ella, porque la otra opción era enviarlos a la muerte en soledad del hospital de turno. Sentía mucha culpa por las dudas que aún mantenía ¿hice bien? La soledad que recuerdo era la suya. Confinada y con ese peso en su corazón, sin poder compartirlo físicamente con amigos y familiares.  

2.- Intenta justificar la muerte en soledad no deseada durante la pandemia covid19. ¿Qué argumentos y métodos se emplearon para implantar tal brutalidad?
Se me ocurre una enumeración de seis métodos. 
UNO. La censura internacional (Facebook, Youtube, Reuters, El País, La Sexta, Newtrals, Maldita, Jordi Évole, Risto Mejide, Google...) Recuerdo pasar horas buscando en Google qué países aún no habían decidido vacunar a los niños en el mundo en un momento en que aún muchas naciones se resistían a hacerlo. Desistí. Acabé pidiendo la información en el SIAP COVID. Fue penoso comprobar cómo la censura llegó hasta medios de izquierdas y habitualmente combativos contra la manipulación informativa y los intereses corporativos. Ejemplos de esto último aquí aquí.
DOS. El poder ejecutivo: el ejército, la policía, cualquier autoridad... un desalmado guardia civil multó con 700 euros (pagados; y devueltos gracias a VOX) a mi compañera porque fue a tirar la basura a 100 metros de casa, sacando al perro y a su hija de 8 años, mi Carmelilla, de noche, lloviendo, nadie en la calle, en la última calle del pueblo, después de gritarles cosas como vectores de contagio, irresponsables y otras lindeces que allí se le ocurrieron al gendarme. 
TRES. CARA A. La gloria y los honores, y el dinero. Más de uno y de dos aprovecharon la coyuntura para que su voz fuese reconocida y ganar presencia, fama y que los quisieran mucho y aplaudieran cuando los viesen por la calle, o en el bar o en la panadería. Encantada de que los pacientes me hicieran caso, decía la enfermera. Feliz de que se adheriesen al tratamiento y a sus órdenes. Siempre por su bien... (me recuerda a este otro vídeo de humor de La Hora Chanante) Recordemos la cantidad de dinero que fue desde el Estado directamente a los periódicos y televisiones de todo el país.
CARA B. Frente a la gloria, los métodos de defenestración. Muchos desobedientes fueron despedidos, rebajados, amenazados, vilipendiados, niguneados, etcétera, etcétera. Mucha gente. Ya fueran más conocidos -Miguel Bosé; Joan Ramon Laporte-, ya fueran personas anónimas que mantuvieron su integridad. 
CUATRO. La falta de formación de los profesionales sanitarios. En este vídeo (primeros minutos), el médico Álvaro Campillo habla de la formación de los médicos. Cuyos argumentos en ocasiones, dice Álvaro, se parecen mucho a los argumentos que se escuchan en un gimnasio: cambiemos el principio de autoridad de mi entrenador dice, por el que usa el médico, de mi adjunto dice... Médicos de oreja, que le escuché decir a otro médico crítico granaíno. 
CINCO. ¡Vamos a morir todos! ¡Mataréis a todos los pobres abuelitos del planeta! Creo que fue el argumento estrella. Junto al Sé responsable, y no te se vaya a ocurrir juntarte con conspiranoicos
Y SEIS. El apabullante poder de los Estados actual. Decía Ortega y Gasset que el poder del ministro de gobernación abarcaba un radio 30 kilómetros desde Madrid. Antes que Ortega, el ministro Mendizabal exageraba y decía que el poder de un ministro terminaba en la misma puerta del ministerio (aquí cuenta estas anécdotas el historiador orgánico Álvarez Junco) La capacidad real y efectiva de los Estados para ejecutar leyes y decretos era en aquellas épocas ridícula si la comparamos con la actual. En pandemia, esta nación se sintió con la capacidad y el derecho de recomendar a sus súbditos a cuántas personas podrían invitar en las Navidades a su mesa.  

3.- Considera los aspectos éticos y morales que deberían haber prevalecido para evitar la muerte covid19 en soledad no deseada.
La ternura, la solidaridad, la valentía, la búsqueda de la verdad, la dignidad de la persona… el amor, al fin y al cabo, como nos recordó Iona Health (aquí).
En particular, pienso que uno de los conceptos que más frutos daría en este asunto es el de dignidad. Un concepto muy usado en los acercamientos teóricos en final de vida. Y que nos da juego tanto para pensar en (A) quienes “cometieron el delito” -de, por ejemplo, enviar a un familiar moribundo a fallecer en la soledad de un hospital-, como en (B) quienes “padecieron el delito” -cómo fue pisoteada su dignidad; y cómo se la dejaron pisotear (si es que tenían capacidad de responder al pisoteo)-, y para pensar, por último, en (C) quienes lo “permitieron” -por ejemplo sanitarios que por acción o por omisión actuaron contra su conciencia-.

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En marzo, En Torremocha del Jarama, se celebrará los días 7 y 8 de marzo del 2025 el próximo SIAP, con el título "La respuesta a la pandemia covid19. Ciencia, ética y sociedad". Reflexiones como las que incitaron Juan y Mercedes  serán ampliadas y profundizadas. Y, quienes leáis esto, estáis más que invitados a participar en él. 

Iván Illich, en el centenario de su nacimiento. Demostró que la mayor amenaza para la salud mundial es la medicina, que el patógeno clave es la obsesión por la salud perfecta y que la escuela es una agencia de publicidad de la sociedad enferma.

Juan Gérvas (Doctor en Medicina, médico general rural jubilado, Equipo CESCA, Madrid, España, exprofesor de salud pública, Universidad Johns...